quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Uma quase Fábula... dedicada a todos os políticos senis, criminosos e desumanos ...

    Nesse dia o falcão viajou até à grande cidade, poisou no prédio mais alto e observou o adormecimento humano que freneticamente se movimentava. Nas ruas dominadas pelas máquinas ambulantes os condutores enviavam olhares raivosos uns aos outros! Pelos  passeios, os funâmbulos caminhavam apressados sem repararem na massa de zombies que caminhavam ao seu lado! Nas esquinas, deitados em cartões, estendiam as mãos os doentes que a putativa sociedade esqueceu. No hotel de muitas estrelas o velho riquíssimo comprava o corpo de um jovem e as paredes escondiam os soluços da violação. De um edifício enorme espalhava-se um som histérico que provocava a dança frenética dos participantes . De vez em quando um esganiçado pastor gritava versículos de um escangalhado evangélico bíblico e invocava o nome de Deus em vão! Num grito sublime o falcão lembrou-se da metáfora do “ Planeta dos Macacos” e registou a transformação num profético “Triunfo dos Porcos”!

Regressou ,então, à fraga onde o crime hediondo tinha acontecido! Num caminho escondido a meio da montanha, um trator envergonhado, tinha largado um contentor enorme fechado a sete trancas. Uma terra de ninguém esquecida entre fronteiras.

        Nos primeiros dias  ecoaram  sons metálicos de batidas desesperadas do seu interior, entrecortadas por choros de crianças e gritos lancinantes de homens e mulheres. De vez em quando o som de um telemóvel parecia recordar que não estavam sós! À sua volta, alheios à tragédia humana que acontecia no seu interior, os animais continuavam o seu ciclo biológico e os insetos zumbiam profeticamente o destino dos encarcerados. Cinco dias depois , quando por ali voava , o falcão estranhou que de uma velha árvore brotassem, de um ramo,  flores sobre o contentor! Vou até ela o falcão. Poisou sobre a sua copa. Testemunha da chegada do atrelado, as folhas choravam e falou-lhe dos gritos, dos choros das crianças que a pouco e pouco foram diminuindo até o silêncio se ter instalado e o contentor se ter transformando um sepulcro.

Subiu então o falcão aos céus e convocou todos os seres vivos livres da terra - as aves. Sem fronteiras chegaram de todas as partes do mundo aves de todas as cores, brancas, pretas, grandes e pequenas. As mais fortes abriram as trancas e todas se esforçaram por abrir as portas que escondiam a tragédia. Paradas as aves olhavam de fora para aqueles corpos inertes e não entraram! O mocho entrou limpando com as asas os olhos enormes e soluçando ia relatando para fora: - Está logo à entrada uma criança que ainda segura a mama seca da mãe com a boca… ao lado, entre os dedos um terço acaricia uma mão… nas paredes, coladas com saliva, cartas com um idioma que ninguém sabe ler, pretendem ser uma despedida para o futuro… alguns estão abraçados numa ato de comunhão com a morte…num canto uma montanha de sapatos lembra que quiseram morrer descalços e no cimo pequenas botas de crianças… nas mãos algumas fotografias ainda exalavam a saliva dos beijos de despedida aos entes queridos… um telemóvel  vibra lembrando que alguém pedia ( diz alguma coisa por favor) e todos estão de olhos abertos… - e o mocho saiu. Então todas as aves se agacharam nas suas patas e projectaram  aos ares pios dolorosos como nunca se ouviu. O falcão subiu ao ramo rasteiro da árvore e disse: - Meus irmãos dos céus estamos perante o mais diabólico predador deste planeta, o ser humano! Nem a sua raça respeita desde o dia em que surgiu. Inventou a guerra e mata por ódio, amor, desprezo, religião ou por qualquer inutilidade. Dentro desta gaiola de metal frio e escuro assassinou toda a humanidade!

E todos se levantaram e começaram a voar no alto do contentor. Formaram uma nuvem enorme que escondeu o Sol. 

Passado pouco tempo surgiram uns homens vestidos de negro a disparar para as aves que dispersaram. Do alto surgiu um enorme helicóptero. Fecharam o contentor, atrelaram-no  com cordas e perdeu-se entre as montanhas.O sistema escondeu mais um fardo político!           Novamente o a política transformou os humanos que sonham, com famílias e vidas, em corpos e números ignorados e desrespeitados. 

    Num caixão de metal industrial, a dignidade e fraternidade humana, serviu para esconder  a selva jurídica e política dos doidos que governam o mundo.

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