quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Uma quase Fábula... dedicada a todos os políticos senis, criminosos e desumanos ...

    Nesse dia o falcão viajou até à grande cidade, poisou no prédio mais alto e observou o adormecimento humano que freneticamente se movimentava. Nas ruas dominadas pelas máquinas ambulantes os condutores enviavam olhares raivosos uns aos outros! Pelos  passeios, os funâmbulos caminhavam apressados sem repararem na massa de zombies que caminhavam ao seu lado! Nas esquinas, deitados em cartões, estendiam as mãos os doentes que a putativa sociedade esqueceu. No hotel de muitas estrelas o velho riquíssimo comprava o corpo de um jovem e as paredes escondiam os soluços da violação. De um edifício enorme espalhava-se um som histérico que provocava a dança frenética dos participantes . De vez em quando um esganiçado pastor gritava versículos de um escangalhado evangélico bíblico e invocava o nome de Deus em vão! Num grito sublime o falcão lembrou-se da metáfora do “ Planeta dos Macacos” e registou a transformação num profético “Triunfo dos Porcos”!

Regressou ,então, à fraga onde o crime hediondo tinha acontecido! Num caminho escondido a meio da montanha, um trator envergonhado, tinha largado um contentor enorme fechado a sete trancas. Uma terra de ninguém esquecida entre fronteiras.

        Nos primeiros dias  ecoaram  sons metálicos de batidas desesperadas do seu interior, entrecortadas por choros de crianças e gritos lancinantes de homens e mulheres. De vez em quando o som de um telemóvel parecia recordar que não estavam sós! À sua volta, alheios à tragédia humana que acontecia no seu interior, os animais continuavam o seu ciclo biológico e os insetos zumbiam profeticamente o destino dos encarcerados. Cinco dias depois , quando por ali voava , o falcão estranhou que de uma velha árvore brotassem, de um ramo,  flores sobre o contentor! Vou até ela o falcão. Poisou sobre a sua copa. Testemunha da chegada do atrelado, as folhas choravam e falou-lhe dos gritos, dos choros das crianças que a pouco e pouco foram diminuindo até o silêncio se ter instalado e o contentor se ter transformando um sepulcro.

Subiu então o falcão aos céus e convocou todos os seres vivos livres da terra - as aves. Sem fronteiras chegaram de todas as partes do mundo aves de todas as cores, brancas, pretas, grandes e pequenas. As mais fortes abriram as trancas e todas se esforçaram por abrir as portas que escondiam a tragédia. Paradas as aves olhavam de fora para aqueles corpos inertes e não entraram! O mocho entrou limpando com as asas os olhos enormes e soluçando ia relatando para fora: - Está logo à entrada uma criança que ainda segura a mama seca da mãe com a boca… ao lado, entre os dedos um terço acaricia uma mão… nas paredes, coladas com saliva, cartas com um idioma que ninguém sabe ler, pretendem ser uma despedida para o futuro… alguns estão abraçados numa ato de comunhão com a morte…num canto uma montanha de sapatos lembra que quiseram morrer descalços e no cimo pequenas botas de crianças… nas mãos algumas fotografias ainda exalavam a saliva dos beijos de despedida aos entes queridos… um telemóvel  vibra lembrando que alguém pedia ( diz alguma coisa por favor) e todos estão de olhos abertos… - e o mocho saiu. Então todas as aves se agacharam nas suas patas e projectaram  aos ares pios dolorosos como nunca se ouviu. O falcão subiu ao ramo rasteiro da árvore e disse: - Meus irmãos dos céus estamos perante o mais diabólico predador deste planeta, o ser humano! Nem a sua raça respeita desde o dia em que surgiu. Inventou a guerra e mata por ódio, amor, desprezo, religião ou por qualquer inutilidade. Dentro desta gaiola de metal frio e escuro assassinou toda a humanidade!

E todos se levantaram e começaram a voar no alto do contentor. Formaram uma nuvem enorme que escondeu o Sol. 

Passado pouco tempo surgiram uns homens vestidos de negro a disparar para as aves que dispersaram. Do alto surgiu um enorme helicóptero. Fecharam o contentor, atrelaram-no  com cordas e perdeu-se entre as montanhas.O sistema escondeu mais um fardo político!           Novamente o a política transformou os humanos que sonham, com famílias e vidas, em corpos e números ignorados e desrespeitados. 

    Num caixão de metal industrial, a dignidade e fraternidade humana, serviu para esconder  a selva jurídica e política dos doidos que governam o mundo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

"Populus vult decipi, ergo decipiatur" (O povo quer ser enganado, portanto que seja enganado) - Aforismo em latim renascentista

Quando a história se torna profética e nos avisa para a distopia em que o mundo se transformou, assistimos ao esboroamento das democracias, ao voar vampiresco de vertiginosas tecnologias que vão destruindo a socialização da humanidade, o espirito crítico e o uso utilitário do cérebro.
Cada vez mais pessoas tendem a canalizar as suas frustrações para as trafulhices agradáveis dos discursos populistas , políticos e religiosos, disfarçando assim a sua incapacidade de enfrentar a verdade e a ignorância e nem reparam que estão a concordar com o seu próprio engano.
Assustadoramente, há uma regressão do ser humano nas suas capacidades intelectuais. Estamos a assistir, depois de longos anos de evolução, ao nascimento de gerações que surgem com um QI inferior ao dos pais. Aconselhamos vivamente todos aqueles que se envolvem em educação, Pais e Professores, a lerem o livro de MICHEL DESMURGET, A Fábrica de Cretinos Digitais.
Quando falamos em Pais e Professores, esquecemos os reprodutores e os políticos - os primeiros, porque abdicaram da responsabilidade parental: partiram do princípio que o estado tem a obrigação de se ocupar dos seus filhos e transformaram os espaços educativos em campos de concentração, que por feliz ironia do destino, para além da educação recebem os poucos afetos que a vida lhes dá.
Quando chegam a casa, os cansados reprodutores, já lhes ofereceram, muito precocemente, um ecrã de telemóvel e lhes colocaram no quarto uma consola de jogos e um televisor! Tem sido comum nas férias dos filhos, quando estes lhe pedem a atenção para determinado produto, gritarem: "nunca mais começa a escola".
Os políticos, na sua esmagadora maioria, formados ou deformados em Direito, esfregam as mãos de contentes, porque assim têm cada vez mais clientela que os perpétua no poder e nas benesses que arrecadam. Pensando em educação, foram destruindo a escola pública inventaram o Processo de Bolonha, que diminuiu o tempo das licenciaturas e transformou Mestrados e Doutoramentos em meros e simplistas trabalhos académicos, muito facilitados, agora, com a IA. Felizmente que continuaram a existir Instituições académicas cuja exigência e qualidade se mantêm presentes. Pena serem quase exclusivamente para Pais conscientes e endinheirados que trocaram o ensino público pelo privado ou então que mantiveram a qualidade no pagamento de explicações para os seus educandos. Já alguém se preocupou em fazer o levantamento de centros de explicações existentes?
Enfim terminamos, por agora, com o caso do momento, os exames deste ano letivo. Quem sempre trabalhou em Educação reconhece que as reformas são necessárias para acompanhar a evolução dos tempos. Não lembra ao diabo avançar com uma reforma na avaliação , informatizando-a, sem uma sábia e bem experimentada praxis. Os argumentos da tutela não podem convencer ninguém. Num carrossel de folhas desaparecidas, tentativas de culpar professores e funcionários administrativos, troca de enunciados, atrasos a correção e publicação de pautas, ressurreição de docentes avaliadores, cálculos mal feitos, perguntas corrigidas erroneamente... Criou-se o descrédito TOTAL. Não houve avaliação, mas um arremedo, injusto para com os Jovens deste país.

Quando a putativa casa da Democracia não representa aquele povo Português (que ainda tem algum sentido crítico) e se tornou num antro de destiladores de ódio e de divisão nacional...




"Maximum est in republica bonum, conservare concordiam eamque nunquam violari pati" Cícero

( O maior bem de uma república é preservar a concórdia e nunca permitir que ela seja violada)

- Ora viva Compadre, há muito tempo quue não aparecia! Não estou a perceber o título deste "post"?

- Não está a perceber, vou começar por lhe apresentar os factos.

Nas últimas legislativas (18 de maio de 2025) estavam inscritos 10 850 215 votantes. Votaram, apenas, 6 317 949! Abstiveram-se 4 179 462! O partido que nos governa teve 1 971 558 votos; o P.S. 1 442 194 votos; o Chega 1 437 881 (por obra e graça do marafado "método de Hondt" ficou em segundo lugar!?...Nem vou falar dos outros partidos políticos, porque apresentam números residuais...

- Gaita, compadre, não sei onde quer chegar.

- Cuidado, compadre, com as formas verbais, a raposa está escondida com pele de cágado. Primeiro, a comunicação social e as redes sociais trataram de reduzir uma grande parte da população à ignorância das emoções, bloqueando-lhes a racionalidade, votaram, então, nos berradores e na estupidez dos criadores de opinião televisivos! Outros tantos, presos aos interesses dos tachos dos maiores partidos, foram votando ao sabor do crime das sondagens e da impregnação venenosa das redes sociais! Finalmente, gentes sem carácter, que nunca tiveram sucesso na vida política, social ou económica, decidiram de uma forma ilegal aproveitar-se de uma democracia, já muito fraca, e com a ajuda de uma justiça apodrecida, assaltaram o parlamento!

- Justiça apodrecida, compadre?

- Sim, compadre. A Justiça deveria ser a instituição, que com o seu poder independente, porque tem de ser independente, tinha o dever de salvaguardar a Democracia. Mas o que temos? Uma justiça para ricos e outra para pobres! Para estes restam-lhes os defensores oficiosos, ou mal formados em universidades privadas, com cursos dados praticamente por correspondência, ainda mais facilitados pelo criminoso processo de Bolonha! Depois, temos outra Justiça - a justiça (?) do excesso de advogados e escritórios poderosos que dominam a política nacional; a justiça (?) da escolha política do procurador geral da República e do tribunal constitucional?! E é aqui que a urtiga esbardalha a realidade. Tudo é possível, desde a interpretação confusa da Constituição, com assimilações de ignorante semiótca, tornando confusa a simplicidade literal do texto! E, assim, fica aberto o caminho para actos fascistas da democracia e o seu apodrecimento e, para a presença de partidos ilegais na Assembleia da República. Não deveriam ser os pares, que fazem parte da juatiça, a escolherem os seus superiores hierarquicamente?

- Tem razão, compadre. É doloroso ver na casa da democracia discursos de puro ódio, com formas verbais assoberbadas por gritos irracionais, com gestos violentos, de dedos em riste e baba nos cantos da boca, com laivos de má criação e de falta de carácter, que tornaram esta casa num curral detestado por, cada vez mais, um número enorme de Portugueses.

Metendo conversa...

No espaço dos países do sul da Europa (de influência mediterrânica) a origem do culto remonta às religiões primitivas e, dizem os críticos, constitui metamorfose de outros cultos originários. Assim, a origem do culto do feminino segura as suas raízes populares entre olivares e vinhedos e evoca: Isis, Atenea, Cibeles, Astarté... Sincretismos da Grande Mãe. 
    A deusa, a Mãe, preenche o imaginário dos homens, na forma idealizada da mulher! É a Senhora, nunca a “virgem”, adorada entre antas e menires, a guiar riachos e a proteger caminhos milenares.
    O seu rosto sofreu a deformação da História, porque a política e a religião constroem-se sobre a mesma matriz – da hierarquia e do poder. Assim, consoante os interesses em jogo, o culto a Isis sofreu matizes e acentuou traços: a dedicação, a claridade, o sacrifício abnegado pelo filho… Isis, a Luz do Mundo, a deusa dos mil nomes, encerra na sua simbologia uma severa contradição para a ideologia cristã. “Senhora dos Prazeres”(?!) , tantas outras, num absurdo que o cristianismo não conseguiu substituir..
    Ísis é uma deusa da luz, zelosa com todos, sejam escravos ou nobres, pecadores ou sagrados, governantes ou governados, homens ou mulheres. Ela olha por todos com o mesmo empenho protector, a mesma solicitude, exercitando assim a sua natureza radicalmente maternal e fértil.
    Lúcifer é o portador da luz, a estrela da manhã. A palavra Lúcifer vem do latim lux, que significa luz, e ferre, que é levar, transportar. É, portanto, o portador da luz, ou ainda a estrela da manhã ou filho d'alva desde antiguidade egípcia e clássica. A tradição cristã conhece o nome Lúcifer como o anjo caído que também é conhecido como Satanás. Esta concepção foi criada pelo putativo “São“Jerónimo ao traduzir de forma grosseira a Vulgata, a Bíblia em Latim, no século 4 d.C. – é o diabo.

"De exitio aspera" - Uma fábula do compadre Zé




Farta de monarquia a fauna Lusa decidiu desencadear uma revolução. O velho Lobo, chefe da alcateia, reuniu-se com o verboso Corvo e a sábia Coruja. Enquanto a lua abria uma janela na escuridão os três discutiam, pensavam, uivavam, piavam, parlavam sobre a melhor forma de reunir todos os animais numa clareira da praia. Decidiram, então, enviar as Gralhas aos quatro cantos da Lusitana Terra convocando os representantes, sem distinção de género, de todas as espécies. Mas onde? E quando? Decidiram pelo rio Tejo nas fraldas de Lisboa pela centralidade e, no Inverno, pela coerência meteorológica das espécies.

Os primeiros a chegar foram os peixes. E a confusão começou! Os de água doce exigiam o plenário durante a maré baixa, os do mar na maré cheia! Para complicar as coisas um Golfinho tentou petiscar um Barbo! Surgiu, então, a primeira norma constitucional: “Sempre que se imponha a necessidade de uma assembleia geral de todas as espécies, ficam proibidos todos os atos de predação, violência, cio ou produção de venenos e toxinas”.

Aos poucos foram, então, chegando, os animais: As desconfiadas raposas esperavam numa vereda sobranceira enquanto os galináceos cacarejavam como se chegassem a uma festa. Entretanto os Coelhos esperavam que Ginetes, Furões, Doninhas, Texugos e Ratazanas, ocupassem o seu espaço na Assembleia. Já organizados em partidos chegaram os Suínos. Os Bísaros acenavam, pendurados nos rabos, a bandeira do Partido Sem Dono; Os Javalis, hasteavam nas presas o cartão do Partido Sorrelfa e numa mistura de raças suínas , seguiam-se o Partido do Cagão Português, da Bosta Especial, do Chiqueiro Democrático Suíno, da Importância Laroca, do Penico de Ação Nacional… e outras caganças partidárias que não perco tempo em nomear.

Uma brisa suave varria a assembleia já sentada, enquanto os Escaravelhos, Abutres e algumas aves esfomeadas mantinham a higiene do espaço. Subitamente ouviu-se o piar do Mocho e um silêncio aterrador calou os sussurros da Assembleia. Uma pedra enorme servia de parlatório. Altivamente o Pavão alargou os seus paramentos e abençoou a Assembleia: “Que todas as forças da natureza iluminem este consílio”. Deu quatro voltas, e caiu redondo no chão. Entre risos abafados o mestre Lobo subiu a enorme rocha. Sentou-se sobre os quartos traseiros e olhou em redondo, para toda a assembleia. E assim falou: - “Seres desta Lusa terra, habitantes do ar, do bosque, das cavernas profundas, da água, das rochas, das árvores, da charneca, das praias e dos leitos secos, dos lugares lúgubres, dos buracos e do fogo, das florestas esquecidas… Ouvi o Sábio Burro, o guardião do saber antigo.”

(Continua)

"De exitio aspera" - Uma fábula do compadre Zé - (continuação)

 





Frente ao parlatório Rochoso o Burro baixou a cabeça, sacudiu com quatro pinotes os Chatos que teimavam em abrigar-se na macieza dos seus renhões e assim zurrou: “ -Já contavam os avós dos meus avós que há mais de mil invernos habitavam esta terra uns seres estranhos que para se afastarem da natureza caminhavam sobre as patas anteriores, feitos espetos. Organizaram-se em aldeias, depois em cidades, e quanto mais se organizavam, mais se separavam uns dos outros! A tal ponto chegaram que fizeram da semelhança distinção! Nunca se entenderam, nem mesmo quando diziam que tinham um cérebro maior que os outros animais. Serviu esse desenvolvimento para subjugarem o mais fraco, para inventar a morte pela guerra quando descobriram que o poder das armas podia dominar mais semelhantes. E nunca tão poucos dominaram tantos! Escravizaram e inventaram o PODER! Afastaram-se da natureza, a Nossa Mãe original e inventaram a religião. E esta só serviu para transformar aos humanoides nos seres mais abjetos do planeta! Ajudou a separá-los ainda mais em nome de “seres seráficos e bondosos” que mais não eram que excrementos filosóficos e teológicos de um cérebro involutivo a que chamaram civilização! Divididos em dominadores e dominados, fecharam-se e criaram fronteiras sentindo-se ainda mais diferentes entre si. Resolviam os seus problemas matando-se uns aos outros. À banalização da morte justificada pela força, chamaram-lhe guerra. Inventaram o dinheiro e criaram então a pobreza!

Poder e religião fizeram uma hipócrita aliança – outra forma de poucos dominarem a maioria. Levantou-se, então, a palavra liberdade e à maioria da população crismaram-na de povo. Monarquia, república, tirania, ditadura e finalmente democracia. Esqueceram-se que todos nascem livres na natureza que os cerca.

A política tornou-se numa arte do engano. Quanto mais avançavam no tempo mais perto ficavam da extinção! Umas centenas de palhaços nascidos de sangue privilegiado, eleitos, representantes de divindades inventadas, de profetas, justificaram a escravidão, a destruição, a desigualdade… E surgiu a História para justificar a permanência! Ignoravam que na natureza a verdadeira história é a dos enterramentos ou, mais tardiamente dos cemitérios. Tinham uma relação esquizofrénica coma memória – pintaram, escreveram, filmaram, gravaram , guardaram em formatos digitais… E quanto mais investiam no conhecimento, mais se afastavam da realidade - chegaram ao ponto de substituírem o cérebro por um ecrã de computador ou telemóvel.

O artificial substituiu o natural! Destruíram a maioria dos seres que habitavam a terra e o mar! Acabaram por conspurcar o meio ambiente em que viviam esquecendo-se que a natureza é mais forte! O sol passou a queimar mais, os rios secaram, as plantas recusaram-se a crescer, as tempestades tomaram conta de montes, vales, desertos, e derreteram os apoios do planeta. Naturalmente os humanos extinguiram-se!

(continua)

 




Três voltas deu o burro ao palratório e depois de zurrar três vezes, “Tres resonantes pedit in auras” (lançou para o ar três ressonantes peidos). Uma abelha enorme poisou-lhe na cabeça e iniciou uma dança que apenas os animais conheciam. E como na natureza não existem regimes, fácil se torna descodificar a comunicação: - Quando a terra era habitada pelos espetos, chamaram-me rainha. Nem a doçura que lhe ensinamos, quando por eles éramos escravizadas, lhes abriu as portas da natureza. Eu sou a Mãe de uma enorme família que faz parte de tantas famílias abraçadas pela natureza. Vamos voltar para as flores, encher o vento de pólen e os dias e as noites sem a prisão do tempo.

O lobo ergueu-se nas quatro patas, uivou e fechou a assembleia: - Voltemos para os nossos cantos. Às vezes uns ventos maus toldam-nos a ligação à terra.

Saltou do palratório e todos partiram.

Todos? Não, ficaram os porcos.

Jornalismo, pasquins e audiências



Encontrei o compadre Zé, no café do Ti Chico a ler o jornal Tal e Qual:

-Boas tardes compadre, então a ler o jornalito?

- Temos que ajudar esta gente compadre! E ler em papel, assim as notícias têm outra consistência.

- Não estou a perceber! O compadre anda sempre a dizer que o jornalismo está uma bosta, que não há independência e isenção, que em vez de informar, desinforma…

- E então não é verdade compadre? Repare por exemplo na imprensa televisiva. Pertencem a grupos económicos fortíssimos, alguns para lavarem dinheiro, outros para favorecerem o partido do patrão e outros para tornarem o povo mais ignorante! Até a televisão do estado canta ao som do toque do partido no poder. Temos três tipos de putativos jornalistas. As vedetas, que apresentam o telejornal ou fazem entrevistas, com vozes esganiçadas - julgam-se os inquisidores do país. Depois temos os repórteres! Compadre ali o meu Fidalgo a zurrar mostrava maior erudição! E como funcionam os hircos? Apelam às emoções mais banais, para não fazer pensar o ouvinte. Dão erros de palmatória, metem medo, apelam às lágrimas de crocodilo, ensinam como se deve matar ou pegar fogo… Sobre os terceiros nem falo, porque nem jornalistas são. Limitam-se a lamber as botas dos políticos à espera de ir para um governo qualquer.

- Ensinam a matar? Não se está a estender compadre?!

- Compadre nos últimos tempos a violência contra as mulheres aumentou. Foi uma semana em que só falaram de facas. Discutiram unicamente a atrocidade gratuita e porque não conhecem a psicologia de massas, ensinaram aos criminosos que uma faca poderia resolver a situação. Quantas mulheres foram violentadas com esse instrumento logo a seguir?

- Mas existe um regulador para a comunicação social…

- Um regulador? Para regular a sua carteira. Qual é o jornal em formato papel que mais vende? Um pasquim abjeto, que promove o crime, o medo, os maus políticos, o conflito, a faca e o alguidar… E até tem uma tv… espante-se! É o exemplo da imposição da irracionalidade e da estupidez! É a anti escola , a anulação de qualquer laço cultural…

- É verdade que o jornalismo atual deixa muito a desejar. Mas existem bons programas com muitos convidados, comentadores?

- Comentadores?! Um médico famoso chamou-lhes “paineleiros”. Políticos ridículos, generais e coronéis frustrados, histéricos do futebol… O problema é que as suas opiniões tiram às pessoas a capacidade de pensar pela sua própria cabeça, de ter um espírito crítico. São os “sábios” dos interesses que não querem que o povo pense! Vale tudo para atrair audiências, até a iniquidade comunicativa. Já pensou naqueles programas que atentam contra os direitos humanos? Gente fechada numa casa a ser provocada por uma voz à espera da baixa discórdia, do confronto banal, da agressão a todos os valores éticos, sociais e morais? Depois os pategos são convidados a pagar o programa com chamadas de valor acrescentado, dando-lhes a sensação que alguém tem de ser castigado!

Queixam-se algumas organizações de que o povo anda a gastar muito em raspadinhas! Já alguma vez pensaram no roubo que as estações de tv fazem aos velhos, aos pobres, aos simples, com a provocação continua às chamadas de valor acrescentado? Para quê? Para pagar programas ridículos, promover a pimbaria, a estupidez ?... Olhe, aprendam com o Compadre Fernando Mendes como se pode entreter e dar felicidade ao povo simples que quer alegria.

Não há jornalismo nem jornalistas em Portugal.

- Pode crer compadre, pode crer.

- E não se vá embora sem a última. O presidente da República, coitadinho, teve uma maleita e foram todos os repórteres para a porta do hospital!

Não há direito, porra, o homem teve que esperar até à hora de maior audiência para sair.

O estado da nação ou o assalto dos oportunistas ...

Civitatis gentis vel occasiones oppugnationis



- Viva Compadre Zé, santas tardes…

- Ou tardes inúteis. Liguei a telefonia e mais uma vez me senti enojado com aqueles que se dizem “os representantes” da democracia.

- Falemos, então, do estado atual da nação…

- Temos que voltar ao passado compadre, só assim entenderemos como políticos sucessivos, dos mais diversos partidos, apodreceram esta democracia.

- Vamos a isso compadre.

- Comecemos por falar daquela classe, intelectualmente risível, que a pouco a pouco foram transformando este país numa pocilga: os advogados e os economistas.

Os primeiros juntaram-se em clãs fechados em grandes escritórios e assaltaram todas as instituições publicas. Qual enxame de vespas, planificavam as leis a aprovar e impunham a sua vontade na assembleia da Républica e nos ministérios que tomaram de assalto.

Temos, então, leis que não defendem o país da injustiça mas os interesses dos poderosos ( patrões da comunicação social, grandes empresas, grandes bancos, interesses estrangeiros …).

Possuímos até uma constituição interessante! Agora repare compadre, a sua interpretação é corrompida a todo o momento ao ponto de termos sumidades que a “decifram” à sua maneira e outros exatamente o contrário ( a maioria das vezes em conluio). Esqueçamos a palhaçada do antigo tribunal constitucional dirigido por dois ou três académicos gurus mortinhos por aparecer na televisão.

O problema, com esta gente de direito, que se vem agravando com as borlas das universidades privadas, está situado na péssima formação das faculdades de direito, pior , ainda, que no tempo da ditadura. Falta a filosofia ética, o latim, a hermenêutica jurídica, a honra, a dignidade, e a inteligência. Tomaram conta do estado de direito, construíram-no à sua maneira, apodreceram-no, tornando a justiça cara e apenas acessível a quem tem muito dinheiro.

Como dizia há dois mil anos o Compadre Cícero sobre estes “catilinas” : “Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?(…)
Nihilne te nocturnum praesidium Palati, nihil urbis vigiliae, nihil timor populi, nihil concursus bonorum omnium, nihil hic munitissimus habendi senatus locus, nihil horum ora voltusque moverunt?( “Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?” (…) “Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te?”



Sobre os economistas fiquemos calados por agora.


Proselitismo religioso, político e pedófilo



Coisas de deus e do diabo.
- Compadre Zé, hoje vamos falar das seitas políticas e religiosas que estão a invadir todo o mundo. Que me diz daquela seita que se instalou em Oliveira do hospital?

- É mais do mesmo compadre. Esses, nome de putativas filosofias baratas, vão-se aproveitando das liberdades religiosas e ideológicas para se fecharem dentro de quatro muros e viverem à margem da lei do país. Até querem fundar um reino! Um reino dentro de uma República!? Está tudo esfrangalhado. E eu até ouvi um político a afirmar que é um direito constitucional!

- Compadre a liberdade de religião é uma das normas constitucionais mais importantes da nossa democracia.

- Estamos de acordo compadre. Mas diga-me lá, se um grupo extremista religioso decidisse, criar um estado dentro do nosso estado isso seria constitucional?

-Compadre, vossemecê está a confundir as coisas.

- Estou compadre?! Que me diz das inúmeras seitas que fazem terrorismo social, político e económico? Que compram edifícios, herdades, políticos, televisões, jornais? Que vivem da ignorância dos simples e dos miseráveis? Que apoiam e provocam guerras? Que abençoam os lóbis das armas? Que não têm nem teologia nem essência? Que pervertem, modificam e acrescentam os cânones sagrados da memória escrita de muitos povos?

- Estou de acordo compadre. Regem-se apenas por interesses políticos e económicos. Mas a religião é importante para regular a sociedade…

- Mais uma vez estamos de acordo, Compadre! O problema é que ao longo dos séculos, quase sempre, serviu para demonstrar o pior que a humanidade possui. E isto tem-se vindo a gravar com estas seitas !

Quem tinha razão era o meu tio avô Ti Zé da Azenha. Antigamente, quando a água ainda corria nas ribeiras, existiam uns portos para atravessar a pé. Colocavam umas pedras grandes entre as duas margens para resolver a passagem aquando das cheias. Num desses dias a ribeira corria forte e alta! As pedras mal se viam. Ti Zé depois de saltar para a primeira pedra e perante a corrente que se fazia sentir, parou. Olhou para baixo, depois para cima, de forma autocéfala benzeu-se e orou: - Que deus me ajude - e, como era um homem avisado, quando ia saltar refletiu mais um pouco – e o diabo também. Saltou então. Sempre que caia na pedra seguinte repetia a fórmula: - Que deus me ajude, e o diabo também. Depois de saltar sete pedras, já perto da margem, escorregou e estardalhou-se na água gelada! Levantou-se serenamente, sacudiu o chapéu molhado, e com toda a sabedoria alentejana, vociferou:
- Tão cabrão é um como outro.


Quando a escola deixou de permitir o salto social e se tornou racista, burocrática e permissiva

 Onde cabe a construção dos saberes? (parte I)



Num destes dias de canícula, sentados à sombra da taverna do Formiga, enquanto arrotávamos umas minis, falávamos sobre a Escola pública.

- Tantas asneiras se fizeram nestas últimas décadas que a escola pública “anda c’a lua cabrêra” compadre.

- Como assim compadre?!

- Tornou-se injusta, desigual, racista, burocrática e sem a capacidade de permitir aos mais desfavorecidos dar o salto social. O conhecimento deixou de ser importante, a violência, infelizmente, tem vindo a crescer. Parece que a escola e as famílias desistiram de ensinar! O professor que deveria ser a maior referência para a sociedade (entenda-se alunos e família) perdeu todo o seu valor histórico e social, tornando-se numa espécie de “ama seca (com o devido respeito) de pedagogos políticos e experiências desastrosas.

- Compadre vossemecê tem que começar a explicar isso. Nunca tivemos tantas escolas, universidades, politécnicos…

- E nunca tivemos licenciados que são analfabetos funcionais nem alunos que acabam o secundário sem saber ler nem escrever!

- Então que escola pública temos hoje compadre?

- Nesta altura temos um ensino básico com um currículo totalmente desajustado, inteiramente virado para o interior da sala de aula, onde impera o absolutismo da felicidade! Ao aluno é-lhe negada a realidade da vida, porque tudo na vida é bom e feliz! A disciplina mental e física desapareceu, a noção de que aprender exige “inspiração e transpiração” foi banida. Encheram as escolas de psicólogos que nada sabem de pedagogia, e que venderam a ideia de que a escola é um recreio infantil, que aprender é um jogo, e que os alunos não devem ser contrariados. Paralelamente, para manter este ideal ”feliz” o ministério promoveu o uso intensivo de smartphones, tabletes, computadores, jogos... O papel tornou-se maldito, e foi responsabilizado pela destruição das florestas! Ler um livro é um ato raro, muito dependente dos pais que leem e incutiram esse hábito aos filhos, que têm bibliotecas em casa e sabem do valor da leitura para a construção de vida. Nas escolas existem bibliotecas e muitos computadores. Os grandes frequentadores são os professores que não dão aulas ou cumprem horas do artigo 69! Se alguns alunos lá estão, espantam-se frente aos ecrãs, depois de serem enviados para lá porque os docentes não estavam para os aturar na sala de aula… evidentemente que existe um Plano Nacional de leitura, repleto de iminências pardas! Os resultados na promoção da leitura são cada vez piores! O projeto “dez minutos a ler” transformou-se numa pausa em sala de aula para alunos e docentes! Será que liam? Será que lhes foi incutido o prazer de ler? O amor aos livros, à poesia, ao mistério das palavras escritas, da imaginação, da construção da sabedoria e da arte literária?

Escreveu Michel Desmurget neurocientista) no seu livro A fábrica de Cretinos Digitais, (que recomendo vivamente a todos) : “ Ao contrário do que se pensava, a profusão de ecrãs a que os nossos filhos estão expostos está longe de lhes melhorar as aptidões. Na verdade, acarreta consequências pesadas ao nível da saúde (obesidade, desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diminuição da esperança de vida), em termos de comportamento (agressividade, depressão, ansiedade) e no campo das capacidades intelectuais (linguagem, concentração e memorização). Tudo isto afeta gravemente o rendimento escolar dos jovens e o seu aproveitamento.” À margem de tudo isto, lembro que criminosamente o ministério da educação fez este ano a aferição de conhecimentos em formato Digital?!

- Compadre, vossemecê já não acredita nos jovens?

- Acredito Compadre. Já não acredito na escola politicamente destruída pela classe politica nacional nem nos pais ( a maioria apenas reprodutores) que se aliviaram dos filhos! Mas isso é assunto para a próxima conversa sobre o tema da desmaterialização dos livros e abandono dos saberes.

Quando a pouco e pouco os políticos deste país vão apodrecendo a democracia…



- Então compadre , que me diz das eleições da Madeira?

- São o reflexo do apodrecimento político deste país. A assembleia da República, conforme o tempo passa, vai estando cada vez mais insciente. São o resultado da dinastia familiar ( há por aí partidos que mais parecem monárquicos) ! Os filhos e filhas substituem os pais e há sempre um tacho à espera dos íntimos), da ciência das universidades de verão e da clientela partidária. O nível da grande maioria do nosso parlamentares e governantes é tão rasca e risível que a nossa democracia mais parece um circo anárquico em autogestão.

- Compadre não está a ir longe demais?

- Longe demais, Compadre?! Voltemos então às eleições da Madeira que são o reflexo do que se tem passado no continente. O número de inscritos era de 253.865 votantes. Votaram no partido que se diz ganhador 58.399 votos. Os remanescentes ainda ficam aquém do número da abstenção! Será que aqueles que não votaram são os menos esclarecidos? Não acredito. Numa democracia plena e não manipulada pelos meios de informação social, ninguém dá o seu aval a quem não é competente. Ou como dizia o meu compadre Coelho, homem avisado e de muita cultura: - “Se ao menos o candidato fosse um cão com uma gravata…” Vêm aí as eleições para a europa, vai ver o descalabro. O apodrecimento das democracias europeias é progressivo.

- Tem que reconhecer que tem havido políticos muito bons neste país.

- Mas foram "pouquichinhos". A memória é curta! O 25 de abril foi muito lindo, depois… Bem depois foram as lutas entre russos e americanos que quase nos levaram à guerra civil…. Mais tarde apareceram aqueles que ao sabor de interesses obscuros gastaram milhões em betão e alcatrão. Pagaram para arrancar oliveiras centenárias e vinhas de qualidade para semearem girassol e outras coisas que nem se colheram! Depois deram dinheiro para plantar outra vez oliveiras e vinhas ! Veja-se o que por aí vai. Os ministros, secretários de estado e afins foram para as grandes empresas privadas e levaram com eles a família…péssimos políticos que abandonaram a Pátria venderam-se a interesses bancários. Fiquemos por aqui porque o rol “ das centenas de ovelhas que se deslocavam de herdade em herdade, e se multiplicaram em muitos milhões”.... Enfim, governaram-nos numa espécie de autogestão anárquica, que privatizava, nacionalizava, e voltava a privatizar… O que era mentira ontem, continua hoje como aldrabice. Alguém já se lembrou de fazer uma investigação séria sobre as fortunas rápidas dos políticos que fizeram carreira na governação?

- Quer dizer compadre que vossemecê é um dos abstencionistas?

- Depende compadre! Com a água que estes roncadores, voadores, polvos e pegadores têm metido, se aparecer por aí um cão com uma gravata, eu vou votar.
Fazem-me lembrar aquela quadra do Compadre Aleixo:
















Ó vós que do alto império
Prometeis um mundo novo
Vede lá que pode o povo
Querer um mundo novo a sério.

Acerca da destruição do Islão pelos psicopatas



Toledo, uma cidade para recordar

Não sou daqueles que pensam que se Maomé não tivesse existido o mundo seria melhor hoje! Acredito que provavelmente seria pior. O grande problema surge com a morte de mais um profeta (considero que o profetismo foi, e é , o grande gerador dos totalitarismos ao longo dos tempos – indutor do medo, da ignorância e da criação de aberrações humanas).

Com a morte de Maomé começou o descalabro que prossegue nos dias de hoje: as divisões começaram com a sua morte em grupos que perverteram o seu livro sagrado. Não existe teologia sem estudo critico apurado e contínuo das escrituras. Hoje, o Corão é mais um manual de política e direito que um livro com fundamentos teológicos válidos. Existiu de facto um tempo e um local que foi um exemplo para o diálogo inter-religioso – Toledo. A presença do Islão em Toledo remonta ao séc. VIII. Durante um longo período que se prolongou para além da Idade Média, a cidade tornou-se um centro intelectual, onde filósofos e estudiosos muçulmanos, judeus e cristãos trocavam conhecimentos e ideias. Três grandes pensadores surgiram: Avicena e Averrois (Islâmicos) e Maimonides ( Judeu). Estes enormes génios da civilização estudaram, divulgaram o pensamento Clássico. Beberam em Aristóteles o racionalismo necessário para tornarem a sua religião mais humana e esclarecida. Destruíram a eisegese (uma forma de abordar o textos a partir de preconceitos e que destrói toda a imagem teológica dos livros sagrados e extrai deles o sentido que os dirigentes, sacerdotes, pastores (…) desejam de antemão) e reforçaram a exegese (trazer para fora) a interpretação através do estudo crítico contínuo. Um dos maiores teólogos do cristianismo, Tomás de Aquino, bebeu nestes três génios a primeira grande evolução da teologia e filosofia cristã. No entanto o mundo religioso das religiões de Abraão e o ocidente assassinaram a memória desses génios da Humanidade.

A presença dos árabes na europa enterrada na escuridão da Idade Média deixou como maior legado a Ciência que possibilitou o mundo actual. O Islão começou por ser uma religião humanitária, encarnou muito do que a sociedade tem de melhor. Ao longo dos tempos, e mais propriamente na actualidade, psicopatas políticos e religiosos estão a acabar com esse legado.

E, já agora, Marisa Matias, alter ego dos aiatolas Khomeini e Hosseini Khamenei destruidores de uma das civilizações mais tolerantes do oriente, hoje Irão, deixe o parlamento europeu, não conspurque mais esta instituição já de si tão degradada.

Embora ateu , não posso deixar de desejar: שלום meus irmãos Judeus.

O linchamento da tolerância – ou como a comunicação social promove o racismo e o ódio…



Estamos a assistir no mundo a movimentações de ódio que não têm comparação nem na história recente nem passada!

“A propaganda para o público em geral funciona a partir do ponto de vista de uma ideia, prepara-o para quando da vitória daquela opinião". (Adolf Hitler escreveu tais palavras em 1926, no seu livro livro Mein Kampf). Hoje, fala-se muito em neonazismo! Novo? O nazismo nunca desapareceu, acentuou-se profundamente neste século refletindo na água da vida a imagem de Narciso em forma de capitalismo, comunismo, putativas democracias, religião… Distópico, este mundo, permite o aparecimento de aberrações como Ruhollah Khomeini, Trump, Bolsonaro, Erdogan, Netanyahu, Putin… e tantos outros que, em nome de um deus absurdo e de erradas teologias, promovem o terrorismo, fazem do ódio a grande sementeira da humanidade. Hoje nasce-se já a odiar alguém!

Como se não bastasse surge a comunicação social, escrita e televisiva, detida quase na totalidade por grandes interesses económicos e políticos, a promover o ódio, o racismo e a ignorância através da exploração das emoções, sem qualquer intervenção da razão! Dá jeito e promove as audiências e faz subir o preço da publicidade…

Convém esclarecer que a ignorância nada tem a ver com a aliteracia ou com o analfabetismo! Costumam dizer que nunca as populações foram tão qualificadas?! Há mais licenciados, mestrados, doutores, catedráticos (alguns destes até defendem a teoria da terra plana)… falta ao ensino aquilo que entre os clássicos se chamava espírito crítico e dialética do conhecimento e a evolução da ética até à utopia…

A emoção, ao contrário da razão, é algo necessário mas básico, pois motivam-nos para as ações de maneira extremamente rápida. Por isso, são usadas para influenciar o comportamento das pessoas quer politicamente quer publicitariamente. É importante lembrar que a comunicação social usa as emoções para submeter as populações de uma forma terrorista e antiética. Nunca foram usadas de forma responsável, porque sabem que as massas não são hoje capazes de reconhecer quando estão a ser manipuladas emocionalmente.

A guerra na Ucrânia parece que já acabou, ou então apenas aparece fugidiamente nas televisões! Começou uma nova guerra no Médio Oriente. Os abutres da comunicação social começaram a esvoaçar sobre Israel. Chamaram os urubus – professores universitários, generais e outros formados em relações internacionais – que, numa diarreia mental, foram ajudando à propaganda de uma guerra que se iniciava! E quando mostravam imagens, hipocritamente repetiam: “As imagens podem ferir a sucessibilidades dos espectadores”! Puro terrorismo verbal – sabiam exatamente que o espectador não iria desligar a televisão- não era mais do que um reforço emocional para que as vissem! Afinal, as massas estão educadas para o medo e para o terror… começou o incitamento ao ódio aos Islamitas.

Não demorou uma semana, por entre a divulgação da propaganda dos intervenientes da guerra, que começasse o incitamento ao ódio aos Judeus! Falo apenas da Europa, dita civilizada. Esqueceram-se que foram os judeus e os árabes, (procurem como coabitavam harmoniosamente em Toledo), que permitiram o avanço da ciência, da humanização e da renascença. Por todas as capitais, incitados por movimentos terroristas, muitos deles com assento parlamentar, começou o ódio aos Judeus. De tal forma que fizeram do antissemitismo da segunda guerra mundial uma brincadeira de crianças!

Hoje, a Europa está dividida! Ou se odeia os judeus ou os árabes com a ajuda da comunicação social.

A bandalheira política – o apodrecimento do parlamento – a memória curta e a palhaçada das instituições de poder



A sociedade necessita de medíocres que não ponham em questão os princípios fundamentais e eles aí estão: dirigem os países, as grandes empresas, ministérios, etc. Eu oiço-os falar e pasmo não haver um único líder que não seja pateta, um único discurso que não seja um rol de lugares comuns.”

Compadre António Lobo Antunes

- Boas tardes Compadre Zé, então o que me diz destas palavras do Compadre Lobo?

- Palavras lúcidas, compadre. Foram estes medíocres que apodreceram a democracia a ponto de tornarem o governo de Salazar numa gestão mais séria e ética.

- Parece impossível compadre que vossemecê faça uma afirmação dessas?!

- Compadre já alguém pensou em investigar os enriquecimentos dos políticos desde o 25 de Abril? Já alguém fez um estudo sério sobre a monarquia existente dentro dos partidos, nomeadamente daqueles que pertenceram ao rol da governação? O poder passa de pais para filhos, netos, amigos, enteados, esposas e amantes, oportunistas das escolas do partido, da minoria daqueles que se inscreveram no partido… Já imaginou o que partilham socialistas e sociais democratas? Quem está no governo negoceia com o outro os favores de uma caixa geral de depósitos, o cargo numa instituição pública, a gestão de empresas… O perpetuar da corrupção!

- Compadre, mas a justiça está atenta!

- Não me faça rir compadre! Em Portugal a justiça tem os olhos bem abertos. Há uma justiça para pobres e outra para ricos. Faz-se justiça para os casos mais evidentes e isto porque temos uma excelente polícia Judiciária. A democracia está refém da ditadura dos escritórios de advogados. Fazem as leis, são parlamentares, misturam os interesses dos escritórios com o poder instituído! São uma espécie de mafia. E quando se trata de defender os casos que esporadicamente surgem sobre a corrupção dos políticos, muito raramente há condenações e se as há são brandas e douradas, com muitas visitas dos camaradas de partido. E claro, os processos arrastam-se com o tempo para não darem em nada. Para os outros restam os defensores oficiosos, na maioria, ordenados em universidades privadas. Depois existe o anedótico “segredo de justiça”, que de segredo não tem nada!

- Reconheço compadre que Portugal não é um Estado de direito, mas um estado de escritórios de advogados… Uma ordem de privilégios intocáveis que põem e dispõem dos recursos financeiros, económicos, jurídicos e políticos.

- Mas voltemos atrás compadre. Ainda se lembra dos políticos que venderam Portugal à Rússia e aos Estados Unidos? Daqueles que desbarataram os biliões que vieram da CEE em betão e alcatrão, passando de ministros diretamente para as gestões das grandes empresas de construção? Do dinheiro esbanjado nas pescas, em novas embarcações para no mês seguinte pagarem para as pararem? No arranque criminoso (e muito bem pago) de oliveiras e vinhas centenárias? Das jogadas do chamado capitalismo popular? Da primeira corrupção ligada aos bancos? E aqueles ministros que saíram do governo e fundaram bancos? Do negócio das armas e submarinos (lembram-se da tomada de posição sobre estes da justiça Alemã)? Dos rebanhos de ovelhas que circulavam pelas herdades? Da política criminosa que trouxe a “troika” e de quem a geriu? Do atraso que esta trouxe ao ensino, à solidariedade social, à saúde? Do incitamento ao ódio aos professores, aos velhos e aos jovens? Nunca a juventude foi tão maltratada! Num ato terrorista foi-lhes dito que emigrassem! Dos banqueiros poderosos que geriam os recursos do estado e controlavam as atitudes dos governos? Dos donos da comunicação social privada que têm estupidificado este país e manipulado aqueles que ainda votam? E que dizer daqueles atores que tiveram altos cargos na governação e que, hoje, aparecem a opinar sem qualquer ética e moral? E que dizer das aberrações que temos hoje no parlamento? Uns fazem lembrar a metáfora de um sem abrigo com um cão – levaram o cão para aconchego e abandonaram o dono à sua sorte. Outros descontentes com o partido original fundaram um novo partido, depois de serem comentadores de futebol e com a ajuda do maior pasquim da comunicação social (porque o tacho já não chegava para todos). Ainda filhos do mesmo partido, outros regressaram ao século dezanove e armam-se em liberais atrasados no tempo. A extrema esquerda continua igual a si mesma. Meninos ricos a promoverem o terrorismo social e o racismo. Os comunistas estalinistas extintos em todas as democracias ocidentais estão a engrossar o novo partido inconstitucional…

- Porra, compadre, e a crise continua!

- E vai continuar, numa gritaria histérica, com um presidente que não soube manter a dignidade institucional e a independência. Resultado? Hoje só vota que tem interesses partidários ou perdeu o espírito crítico.

Pasquineiros, Trauliteiros e “Politiqueiros” – ou como se domam os palonços nesta nova democracia da Traulitânia



- Que título é este Compadre Zé?

- Porra compadre, o que é que não entende!? Vou-me deixar de eufemismos e tratar esta merda que nos tem destruído a democracia com os disfemismos que merecem! Cinquenta anos de democracia que neste momento enfrenta a sua extinção! Estamos perante os mais escalfúrnicos e peripatéticos políticos que a democracia pariu! Como não bastasse, temos que levar com a vã gloria de cavaquinhos e coelhos, falsos filósofos e outras alimárias que com betão e alcatrão, trabalho infantil, turismo de rabanhos, assassínio de oliveiras centenárias, monda de vetustas vinhas, criadores de cemitérios de barcos novos de pesca, enriquecimentos à custa da porca da politica, sucessões dinásticas nos cargos públicos, insultos aos jovens quando os mandam imigrar, emagrecimento dos reformados, levantamento de rancho nas forças de segurança (…), que transformaram a democracia num chiqueiro nauseabundo em auto gestão.

- Aguente as alimárias compadre, onde vossemecê já vai?!

- Depois temos aqueles que alguém chamou de trauliteiros que com atordoados e ruidosos roncos vão domando estas gentes loucas que limitam o seu cérebro ao ecrã da televisão e do smartfone. Com arrotos asquerosos emprenham os jornais e Tvs com baforadas de burrice opinativa através de mesquinhas palavras, pouca vergonha na cara e, alguns, esquecendo o passado vergonhoso que trilharam.

Apanhamos depois com os pasquineiros! Estes patuscos da putativa comunicação social são o lambaz, o lixo e a poeira que continua a estupidificar e a destruir a capacidade critica das gentes deste país. Divididos em castas estão a transformar Portugal numa “Zombilandia”! Cada TV, com métodos de terrorismo psicológico, faz a apologia do seu partido. Uma SIC falida, tenta de todas as maneiras que a sua família draconiana lhe resolva o problema depois das eleições! O correio da manhã provoca as emoções mais baixas do ser humano! Quando só existe emoção o cérebro apaga-se… Depois temos as empresas de sondagens! À cabeça a universidade da água benta. De científico nada têm! É mais uma forma de influenciar os pategos no partido que defendem.

- Por hoje basta compadre. Vamos ver como estão os burros na charneca.

Alguém lúcido leva este parlamento a sério? O que leva o Presidente a agir desta maneira? Que comunidade europeia é esta onde existem países que estão dentro e fora ao mesmo tempo?



Ut sementem feceris, ita metes. (Cicero)

Ao fim de cinquenta anos a classe política foi destruindo lentamente uma democracia sonhada! A utopia de uma Europa unida e solidária está transformada numa manta de retalhos absurdos e contraditórios. A reboque da loucura americana e russa, é dominada por comissários insensatos e por um parlamento que não é mais do que um clube de riquinhos que se bamboleiam entre sinecuras dispendiosas e o fausto das noitadas em Estrasburgo.

Depois de uma eleição forjada pelo presidente da Républica com decrepitudes (todos intuimos quais), com a aceitação hipócrita do anterior ministro e com a ajuda de uma justiça decadente, o povo, desinformado pelos interesses dos media, votou com raiva vingativa. Pariu, então, um governo liderado por mais um mercenário da política: agressivo, rico, a lembrar, quando abre a boca, num feirante de guarda chuvas num dia de sol. Desse parlamento, saído da contestação ignorante - brade-se aos céus- só temos recebido impropérios, discursos histéricos, debates que envergonham uma casa que deveria ser o exemplo da democracia e uma motivação contra o racismo e a desunião nacional.

Eu, que sou um pai orgulhoso de um filho genial, com uma vastissima e profunda formação académica, e que emigrou para a Suíça, quando o atual primeiro ministro defendia as cores daquele que mandou os jovens imigrar, não acredito minimamente na seriedade deste governo! Criaram um universo de ilusões, que apenas pretendem atrair os votos da juventude. Os mais desfavorecidos continuarão a ser a casta inferior à procura das migalhas atiradas por governos inúteis. Os privilegiados já poderão comprar uma casa de 400 mil euros... E continuamos com um ensino que não aposta no conhecimento, que não permite o salto social, e apenas garante o futuro daqueles, que apoiados em explicações ou colégios particulares, têm acesso às melhores universidades! Ou então aqueles que por vertigem monárquica tiveram a sorte de ser filhos de políticos emprenhando os gabinetes e tacho dos estado. Só falta que alguém, para dar a imagem de uma nova juventude, chegue a ministro ou ministra de algum ministério importante! Não esqueçamos, também, aquela universidade elitista, que deveria estar apenas ao serviço dos pobres e desfavorecidos, e que vai negociando com políticos e poderosos vendendo sondagens impregnadas de água benta! Espero que um qualquer aluno seu não se transforme em candidato imberbe ao parlamento europeu.

E pegando nessa espécie de parlamento putativamente europeu, tremo só de pensar que quem por lá anda nos está a arrastar criminosamente para uma guerra que destruirá definitivamente o futuro dos nossos jovens.

Os candidatos ao parlamento europeu e o paradoxo do Burro de Buridan

- Então compadre Zé, Um burro novo?
-É verdade compadre, novo e inteiro o magano!
- Então como se chama a alimária compadre?
- Burridão, compadre! Eu tinha para mim que se deveria chamar Bugalhinho, mas a minha senhora, teimosa como todas as alentejanas, ditou a sentença e ficou Burridão.
- O compadre está a brincar comigo. Que raio de nome é esse para um asno?
- A verdade é que o bichano saiu-me um filósofo e agora decidiu candidatar-se ao parlamento europeu!
- Porra compadre, o que é que esse nome tem a ver com o parlamento europeu?
- Tudo compadre! Vocemecê compare este candidato com os seus pares , não lhe faz lembrar nenhum paradoxo?
- Mau, compadre, isto é que vai aqui uma burricada! Onde está o paradoxo?
- Isto é uma história muito antiga. Jean Buridan era um compadre filósofo do século XIV. Homem avisado e muito culto engendrou uma situação em que um burro era colocado à mesma distancia de uma cocho de água e de um fardo de palha. A sua sede é proporcional à sua fome. Habituado a escolher sempre o mais próximo, o patudo pôs-se a pensar! Com o focinho espetado entre a água e o feno, matutou, magicou, cismou... primeiro caiu-lhe a orelha esquerda, depois a direita, alçou o rabo e esticou o pernil. Tenho para mim que quando pequenos e respondiamos ao professor "mas eu pensei" - perante a asneira e as reguadas - ouviamos a célebre frase " a pensar morreu um burro", tem origem neste célebre paradoxo.
- Continuo a não perceber o que isso tem a ver com o parlamento europeu e os candidatos.
- Tudo compadre. Com este parlamento onde também se sentam terroristas, racistas, insensatos, anti europeistas, esquisitoides, nazis, trotskistas, maoistas, estalinistas e outras desumanidades - cada vez com menos candidatos democratas , não fique parado a escolher entre: Voto ou não voto? - Não vote, vá à pesca, mande-os à merda , que é o que tem feito o povo português ultimamente nestas eleições.

Conseguiram destruir definitivamente o Ensino Público....

 - Viva Compadre Zé, a olhar para a escola?

- A pensar compadre, a pensar como criminosamente os partidos deste país e aqueles que indicaram como ministros, hipotecaram o futuro de muitos jovens e acabaram com a escola pública! O ano escolar está a começar e entre mais confusão, improvisação, aldrabices com concursos, esvaziamento dos professores mais competentes, ausência de reformas fundamentais... 

- Acusações graves Compadre! Que fundamentos tem vocemecê?

- As coisas andavam mal desde a unificação do ensino. A criação dos mega agrupamentos foi a primeira golpada política, que sob a falsa imagem de poupança financeira se tornou num enorme despesismo. Numa confusão política de reorganização dos espaços, assistimos à chafurdice  dos interesses de autarquias , direções regionais, máfias políticas locais e regionais... Acabaram com gestões democraticamente eleitas e construíram, à pressa, comissões de instalação, privilegiando os correligionários ligados à política .  Começaram, então as mudanças sucessivas no sistema de gestão das escolas. Quando surge a figura do diretor, já ninguém com um mínimo de inteligência  e bom senso, se candidatava a lugares de gestão. Sobrou, na maior parte dos casos, para os comissários políticos, aqueles que queriam segurar um lugar, e os oportunistas sempre prontos a dizer " amém" ao ministro. Como eram olhados com desconfiança pela sua incompetência, criaram nas escolas um séquito de adoradores oportunistas que apodreceram ainda mais o sistema.  E criaram uma associação (!?) . Não tiveram a noção do ridículo, viraram as costas aos professores e tornaram-se nos transmissores do "eduquês" do ministério. Conseguiram acabar com a importância do conhecimento, privilegiaram apenas os alunos dos pais responsáveis , que através de um acompanhamento continuo e muito dinheiro gasto em explicações, lá conseguiram um lugar nas poucas universidades credíveis. O salto social, para os guetos criados nas escolas com o ensino profissional e turmas de ensino duvidoso, desapareceu, enquanto a violência aumentava contra os professores. 

- Por hoje chega compadre. De que vamos falar amanhã?

_ Vamos falar das classificações mudadas em reuniões, da perda de qualidade nos exames nacionais, no analfabetismo funcional à saída do ensino secundário e das próprias licenciaturas, das guerras que os políticos fizeram contra os professores... dos centros de formação... da avaliação manietada dos docentes... E muito mais Compadre!


Olivença 2025 - Substituição do nome das ruas, agora com azulejos das Caldas...



- Santas tardes compadre, então que nos diz hoje?

- Digo-lhe compadre, que os nossos políticos andam a beber muitas "cornas"!

- Então compadre?

- Vocemecê não ouviu as declarações do ministro da defesa nacional sobre Olivença? O político "estrabuchento", perdeu o senso, e fez declarações que não se coadunam com a pasta que tem no governo!

- Sim compadre, ouvi, mas tem que entender que Olivença é Portuguesa, reconhecida por direito internacional...

- Porra compadre, neste tempo de democracia, é o primeiro ministro ( repito, da defesa) que levanta , desta forma a questão! O que é que ele quer? Pegar no exercito português e invadir Olivença? Motivou-se pelas invasões da Ucrânia e da faixa de Gaza? Vai acionar o artigo 5º do tratado do Atlântico Norte, esquecendo-se que a Espanha também é um membro da Nato? E porque não fazer um referendo aos habitantes de Olivença se querem voltar para a soberania Portuguesa?

- Compadre é mais um político português que saiu do direito e que nunca fez mais nada senão política! No fundo o que o homenzinho fez foi um "labarito"! O que ele, no fundo quis dizer foi: - Olivença é nossa mas podem ficar com ela!

- Seria interessante, compadre, se em 2025, ao passear pelas ruas de Olivença encontrássemos uma placa, agora em azulejo das Caldas, a dizer " Rua Nuno Melo / antiga Rua Generalíssimo Franco".

- Como dizemos aqui por o nosso Alentejo: " Vá pela sombra, não lhe dê o sol na tromba". E não se venham catar cá para o Alentejo que o calor espanta as pulgas.




Da destruição da Escola Pública .... parte II



- Que nos diz hoje compadre?

- A verdadeira desgraça para a escola publica começou na década de noventa! A distopia pedagógica pariu uma série de metodologias e pedagogos, que tinham como única intenção promover os seus autores. Tornou-se cómica a famosa universidade de Boston. Uma série de teóricos fizeram lá as suas graduações académicas e chegados a Portugal vadiaram pelas escolas vendendo formações e questionando a praxis docente! Com ironia, e perante o espalhafato, foram timbrados como os doutorados em " bosta". Alguns chegaram longe, a quadros superiores no ensino superior ou membros distintos do ministério da educação. Depois vieram ministros da educação (?!) que decidiram fazer uma guerra contra os professores. Apoiados pelo terrorismo dos media nacionais, viraram a população contra os professores, dividiram a classe, e era ver novos contra velhos, provisórios contra efetivos, competentes contra incompetentes... A população assumiu que os professores nada faziam, tinham horários reduzidos e ganhavam muito! Autorizaram os encarregados da educação a entrarem pela escola dentro - e houve bofetadas dentro da sala de aulas, perseguição nas ruas... A escola perdeu a pouca autoridade que já tinha! E foi o descalabro! O conhecimento deixou de ser importante. reduziram-se os exames nacionais, tornaram a escola racista e a violência tornou-se normal entre os alunos. Tenho para mim que qualquer dia teremos uma violência na escola que os Estados Unidos exportaram .

- Como compadre? Essa é uma acusação grave!

- Compadre na escola passaram a existir apenas algumas turmas, poucas, com qualidade - uma espécie de turmas de mérito! São os filhos dos encarregados de educação que se preocupam com os filhos, normalmente da classe média, que pagam explicações e fazem um acompanhamento continuo porque já não acreditam na escola. Para uma grande parte e seguindo a máxima das reuniões de avaliação, os docentes enchiam as pautas com a célebre frase (" os alunos devem repensar o seu percurso escolar")! Acabou então o salto social. Aumentaram o número de turmas do ensino profissional, com currículos inúteis, onde a ordem era - "todos devem passar" . E os docentes viam-se à nora para gerir a estrutura modelar caso não quisessem passar as férias a recuperar módulos. Criaram para os alunos problemáticos uma série de projetos (turmas) especiais! Passamos a ter a maioria dos alunos que acabam o nono ou o décimo segundo ano sem saber sabem ler nem escrever!

- Mas existe avaliação e exames, Compadre!

- Não me faça rir... Os exames nacionais tornaram-se fáceis. Nos critérios de correção, criaram-se artimanhas , que a escolha múltipla poderia valer 9 valores, e nem era preciso acertar em tudo!

- Compadre, e os políticos não viram isso e não fizeram reformas?

- Os políticos andaram sempre a reboque de políticas criminosamente eleitolaristas. Começaram por destruir na população o sentido de responsabilização sobre o dever de se sacrificarem pelos filhos! Manuais grátis para todos, esquecendo-se de que sempre se apoiou os necessitados! Ocupação dos alunos até muito tarde - transformação da escola num armazém que libertou a maioria dos pais da sua responsabilidade educativa. A maioria dos filhos foram abandonados na escola pública. E como dizia o compadre Manel: " Temos na escola Encarregados de Educação e reprodutores (que já exigem que tomem conta dos filhos também nas férias)". Se ao menos houvesse a coragem de impor a escolaridade obrigatória até ao nono ano...

Quando aqueles que foram eleitos para o parlamento transformam a Casa da Democracia num antro de gente irada, inútil e malcriada...



Também não poderíamos esperar outra coisa! Não há uma democrática escolha dos elementos que a compõem. As cadeiras passam de pais para filhos, enteados e agora netos, assalto dos escritórios de advogados que controlam as leis deste país, oportunistas que vão vagueando de partido em partido, alunos cuja formação prioritária é dada pelas universidades de verão dos partidos, gente que nunca fez outra coisa senão a sinecura parlamentar...

Hoje estivemos a ouvir o debate sobre o orçamento para 2025! Não iremos falar da agressividade dos deputados, governantes e governantas, que sempre que falam, alguns de dedo em riste , com voz esganiçada e e presunçosa, outros com voz esganiçada, a parecer vendedores de cobertores, com gritos esganiçados, atordoam os nossos ouvidos, e levam à lama o nosso bom senso! Não iremos falar do terrorismo verbal de elementos que com a aceitação dos seus pares (?) estão ilegalmente na assembleia violando os mais sagradas normas da constituição. Não iremos falar da reles comunicação social que temos, que tentando competir com o terrorismo das redes sociais, continuam a explorar a esperança das gentes mais simples deste país, explorando apenas as suas emoções e esmagando o seu espirito critico e racional! Não iremos falar dos comentadores ridículos, muitos com um passado vergonhoso, que enchem os bolsos com o apoio dos media, e que já destruíram a capacidade da gente comum pensar pela sua cabeça! Não iremos falar das intrigas palacianas, que sem escrúpulos, fazem da infelicidade de duas crianças, o branqueamento do financiamento dos partidos e da continua sujeição a meia dúzia de famílias. Não iremos falar da corrupção escondida que é uma infima parte da que é conhecida. Não iremos falar da criação de inúmeros hospitais privados promovida pelo PSD e PS que permitiram, junto com a ganância médica, pela ausência da imposição de exclusividade, que destruíram o SNS! Não iremos falar dos partidos que chamaram o FMI, contra a opinião de competentes economistas mundiais. Nem iremos falar da vergonhosa governação, diria antes autogestão, que fez regredir este país e destruiu o futuro de muitas classes profissionais! Não esqueceremos o primeiro ministro que aconselhou os jovens a imigrarem - e ainda aparece hoje como presidenciável! Não iremos falar da destruição da escola publica, da anulação do conhecimento, da anulação do salto social, da destruição do futuro para muitos jovens. Não iremos falar da falta de sentido de estado do representante principal da nação!

Depois de escutar o debate de hoje (3/10) sobre orçamento do estado perguntou: - Qual é a diferença entre o PS e o PSD? Apenas fixados nas suas ideologias, que em quase nada são diferentes, parecem uma chega de bois! Com argumentos primários, muito endurecidos por uma cérebro granítico, nada de útil debateram. Eles que sempre governaram este país, não deveriam esquecer as sua pretensas ideologias e pensarem no bem da nação?

E assim transformaram a nossa democracia numa républica das bananas.

A cacotopia parlamentar ou a degradação da putativa casa da democracia nacional.



- Onde vai de mala feita compadre?


- Vou enterrá-la bem fundo, parece que vamos ter a visita de uns deputados...

- Olhe compadre, quando vinha para cá , tinha o rádio ligado e custou-me a perceber que aqueles berros e terrorismo verbal se passava no parlamento nacional!

- Então Vocemecê ainda perde tempo a ouvir tamanha verborreia?! Aquilo é uma vara de danados a escarrar ódio e a dar um péssimo exemplo a quem ainda os ouvem. Chamam àquilo um debate! Não se argumenta, até porque lhes falta cérebro e sobra-lhes irracionalidade, boas maneiras, cortesia e respeito pelo outro.

- Cuidado compadre, aquele gente pensa que aquela casa é sagrada e que todos a devem respeitar...

- Pois aqui no Alentejo não criamos vacas sagradas, pegamos os touros pelos cornos e não respeitamos quem nunca nos respeitou!

- Lembro-lhe compadre que representam o povo português...

- Algum povo compadre, algum povo! Os verdadeiros democratas, o povo esclarecido já há muito que deixou de votar. Sobram os que não têm espírito crítico, os que vêm a democracia como um campeonato de futebol, as famílias dos políticos, e os colecionadores de tachos. Comecemos pelo seu presidente. O homem julga-se detentor de uma pseudo ética, que entre puxões de orelhas e inchado de pacóvia importância, permite aquela algazarra...

- Ja agora compadre, o que me diz daquele controle do tempo?

- Quando um representante da nação tem o seu tempo contado e lhe cortam a palavra a toque de um relógio, está tudo dito! O que me espanta é que ninguém se revolta! É a ditadura do microfone, a flatulência a enterrar a liberdade numa mal cheirosa sanita e a destruição de qualquer debate... Há terrorismo verbal, social e cultural naquele tipo de atuação.

- Estou de acordo compadre! Há demasiada gente malformada no parlamento...

- São esses catalinas, aqueles que não perdem as universidades de verão, os primos, sobrinhos, afilhados e representantes dos piores "lobis" nacionais que sujam os bancos daquela casa... Depois não é de admirar que um partido ilegal traga consigo um pilha "galinhas"...