segunda-feira, 19 de outubro de 2026

"Populus vult decipi, ergo decipiatur" (O povo quer ser enganado, portanto que seja enganado) - Aforismo em latim renascentista

Quando a história se torna profética e nos avisa para a distopia em que o mundo se transformou, assistimos ao esboroamento das democracias, ao voar vampiresco de vertiginosas tecnologias que vão destruindo a socialização da humanidade, o espirito crítico e o uso utilitário do cérebro.
Cada vez mais pessoas tendem a canalizar as suas frustrações para as trafulhices agradáveis dos discursos populistas , políticos e religiosos, disfarçando assim a sua incapacidade de enfrentar a verdade e a ignorância e nem reparam que estão a concordar com o seu próprio engano.
Assustadoramente, há uma regressão do ser humano nas suas capacidades intelectuais. Estamos a assistir, depois de longos anos de evolução, ao nascimento de gerações que surgem com um QI inferior ao dos pais. Aconselhamos vivamente todos aqueles que se envolvem em educação, Pais e Professores, a lerem o livro de MICHEL DESMURGET, A Fábrica de Cretinos Digitais.
Quando falamos em Pais e Professores, esquecemos os reprodutores e os políticos - os primeiros, porque abdicaram da responsabilidade parental: partiram do princípio que o estado tem a obrigação de se ocupar dos seus filhos e transformaram os espaços educativos em campos de concentração, que por feliz ironia do destino, para além da educação recebem os poucos afetos que a vida lhes dá.
Quando chegam a casa, os cansados reprodutores, já lhes ofereceram, muito precocemente, um ecrã de telemóvel e lhes colocaram no quarto uma consola de jogos e um televisor! Tem sido comum nas férias dos filhos, quando estes lhe pedem a atenção para determinado produto, gritarem: "nunca mais começa a escola".
Os políticos, na sua esmagadora maioria, formados ou deformados em Direito, esfregam as mãos de contentes, porque assim têm cada vez mais clientela que os perpétua no poder e nas benesses que arrecadam. Pensando em educação, foram destruindo a escola pública inventaram o Processo de Bolonha, que diminuiu o tempo das licenciaturas e transformou Mestrados e Doutoramentos em meros e simplistas trabalhos académicos, muito facilitados, agora, com a IA. Felizmente que continuaram a existir Instituições académicas cuja exigência e qualidade se mantêm presentes. Pena serem quase exclusivamente para Pais conscientes e endinheirados que trocaram o ensino público pelo privado ou então que mantiveram a qualidade no pagamento de explicações para os seus educandos. Já alguém se preocupou em fazer o levantamento de centros de explicações existentes?
Enfim terminamos, por agora, com o caso do momento, os exames deste ano letivo. Quem sempre trabalhou em Educação reconhece que as reformas são necessárias para acompanhar a evolução dos tempos. Não lembra ao diabo avançar com uma reforma na avaliação , informatizando-a, sem uma sábia e bem experimentada praxis. Os argumentos da tutela não podem convencer ninguém. Num carrossel de folhas desaparecidas, tentativas de culpar professores e funcionários administrativos, troca de enunciados, atrasos a correção e publicação de pautas, ressurreição de docentes avaliadores, cálculos mal feitos, perguntas corrigidas erroneamente... Criou-se o descrédito TOTAL. Não houve avaliação, mas um arremedo, injusto para com os Jovens deste país.

Sem comentários:

Enviar um comentário